Pra você ver, não existe mocinho e bandido nesse enredo. Você errou, eu errei também. Mas vai ver a gente estava tentando ser feliz, e felicidade é um patamar complicado de alcançar.
O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: “Se eu fosse você”. A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção.
Passei a maior parte da minha vida tentando não chorar na frente das pessoas que me amavam. Você trinca os dentes. Você olha para cima. Você diz a si mesmo que se eles o virem chorando, aquilo vai magoá-los, e você não vai ser nada mais que uma tristeza na vida deles.
A necessidade de escrever sobre tudo que eu venho guardando a anos, logo se faz necessária, sobre mim, sem julgamentos, sem mágoas, sem nomes, apenas alguns parágrafos sobre como vivi minha vida até o momento.
Ninguém precisa ser forte o tempo inteiro. Chore. De raiva, de amor, de saudade. Lágrimas são pedaços de sentimentos se esvaindo de nós. Nosso corpo as vezes não suporta tanto.
Faz um ano que eu me perdi. 365 dias inteiros desde que olhei para o meu interior e me vi em meio ao limbo. 8760 horas que parei de esbarrar comigo mesmo pelos cantos do quarto e não me vejo mais no reflexo do espelho. Eu mudei. Não foi de um momento para o outro, nem por conta de uma única decepção, ou sentimento de amor, não. Eu apenas sumi, simples assim. A mudança veio como uma onda, primeiro atingindo meus pés e molhando-me aos poucos, sem que eu percebesse. Subindo por meu corpo, arrepiando-me com a água gélida da mudança, gerando medo, vontade, prazer, agonia. Fazendo-me perguntar se deveria dar um jeito de me salvar, ou simplesmente afundar. Quando na verdade, não havia mais o que fazer, eu não tinha mais escolhas. A onda de mudanças já tinha me carregado. E é estranho conversar com pessoas que você admirava, e não conseguir mais digerir suas palavras da mesma maneira. Procurar significados há tempos perdidos, e desistir quando não os encontrar novamente. Não rir quando repetirem sua piada favorita. Esquecer de cantar a música que você sempre considerou sua, ou enjoar de assistir o filme que antes marcava sua vida. Eu me perdi e honestamente, não sei se quero me encontrar. Já foi, já fui. Talvez eu seja apenas uma sombra do que eu era. Ou talvez, o que já fui fora apenas uma sombra de mim. Quem sabe um dia eu acabe esbarrando comigo mesmo em uma rua qualquer, apenas para me perder uma última vez.